RESPONSABILIDADE . . .
A responsabilidade de quem se propôs a tratar de doente mental, principalmente oriundo das classes mais desprotegidas da nossa sociedade, dentro de minha concepção, não termina quando ele tem alta. Ela vai além. É necessário que se conheça para onde ele vai, quem vai tratá-lo, se tem condições de atender o mínimo de suas necessidades, ou seja, dar os remédios nas horas certas, observar seu comportamento, não deixar que sofra discriminação não o expondo a curiosidades dos outros. Sua casa ou outra instituição qualquer, tem que ser sempre a continuidade do tratamento que tinha no Hospital.
Houve um caso que caracteriza bem o que foi dito acima. A mãe de um paciente me procurou e pediu dinheiro para a passagem dos dois, ela ia levar o filho que teve alta. Ao receber o dinheiro, me disse: “Ele vai voltar, pois não haverá um prato de comida para ele em casa.” Chamei um enfermeiro e mandei levar os dois na ambulância e que verificasse o que ela dissera. Voltando, o enfermeiro relatou-me o que vira. Ela não dissera tudo, não contou a miséria em que viviam. Dormiam cinco pessoas na casa, que só tinha um cômodo. Aí dormiam, cozinhavam e num dos cantos atrás de uma cortina de plástico, um vaso sanitário, o chuveiro e uma pia. Este foi o palacete descrito. Todos da casa trabalhavam, o paciente ficava amarrado até chegarem de volta de seus afazeres. Dia seguinte o paciente voltou. Palavras dele: “Que bom, aqui vou comer bem, não vão me chamar de maluco, só é ruim porque vou ter que tomar remédio.”
A responsabilidade também abrange a escolha dos profissionais que vão assistir aos pacientes. Nestes trinta e cinco anos de Hospital, vivendo o dia-a-dia deles, ou seja, internado com eles. Já ouvi a muitos horrores como o de um profissional dizendo: “Estes pacientes são muito chatos, já me encheram.” Onde estão a paciência e o respeito ao paciente, que deveriam ser intrínsecos nele?
A responsabilidade em não permitir que se use o sofrimento e a dor de alguém para fins lucrativos ou fazer política.
E por último, a responsabilidade de trabalharmos juntos, os prestadores dos serviços e as autoridades envolvidas, com total isenção de ânimos numa autêntica e verdadeira parceria, voltada única e exclusivamente para o benefício do paciente. Pensamos que em saúde, só o melhor é aceitável.
Dr. Durval Luz.
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