DESABAFO . . .
Tinha 12 (doze) anos quando ouvi de meu pai numa reunião de amigos, que o Brasil era o país do futuro. Hoje avançado na idade me pergunto, que futuro é esse que não chega nunca? Gerações se passaram na expectativa desse grande Brasil, e o que nós temos tido senão decepções em cima de decepções. Ouvem-se os discursos, apresentam-se estatísticas para supormos já estarmos naquele futuro, entretanto o que se vê, e aí (graças à liberdade de imprensa) a dolorosa realidade. Um Brasil que não se encontra em si, desdizendo-se a todo instante. Será que ouvi mal, será que meu pai não disse “Brasil país de futuro incerto?” Um país desenvolvido é um país que já resolveu os seus problemas cruciais que são em termos de prioridade: a saúde e a educação.
Lamentavelmente no Brasil, desenvolvimento é pensado por nossos administradores pelas realizações de grandes obras, pelos inúmeros ministérios para pequenas atividades, mas com uma quantidade enorme de cabides de emprego, em grandes carnavais, e quando cantado, é o melhor do mundo, o mais bonito do mundo, temos o maior estádio de futebol do mundo, as praias mais bonitas do mundo, deixando-se de citar a nossa também grande desigualdade social.
Gosto de ler leio muito, analiso os prós e os contras para ter argumentos quando falo ou escrevo.
É necessário que se veja o Brasil como um todo em toda a sua extensão territorial, 8.511.996 km2.
Houve uma época, entre as décadas de 30 e 70, em que tivemos um bom crescimento econômico para atender um modelo sócio econômico não aparelhado, o que resultou no início dos grandes bolsões de pobreza em todas as metrópoles do país, caracterizando-se especialmente no nordeste e continuam crescendo até hoje, apesar da nossa economia crescer de tempos em tempos.
No que se entende não se projetou um Brasil para um futuro, que viu e esta vendo sua população crescer. Um exemplo, eu acho, é a discussão em termos dos Royalties do petróleo. É o momento de pensarmos grande, de pensarmos que todos somos brasileiros e temos direito às riquezas que se produzem, mantendo-se é claro as devidas proporções.
Uma prova da grande excludência no Brasil é a seleção das capitais para os eventos esportivos de 2014 e 2016. Estivéssemos no Brasil do futuro, não teríamos dificuldades em escolher este ou aquele lugar, todos estariam em condições de desenvolver estes eventos.
Este desabafo é porque amo muito o Brasil e por isto quero um Brasil justo para todos os brasileiros.
Dr. Durval Luz.
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